Prisão foi feita na segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, que combate interferências nas eleições municipais de 2024.
Tatiana Medeiros, vereadora eleita em Teresina (PI) presa pela Polícia Federal
Foto: Reprodução/Instagram @tatianamedeirosvereadora
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB-PI) foi presa na manhã desta quinta-feira, 3, pela Polícia Federal (PF), por suspeita de ligação com uma facção criminosa que atua no estado do Piauí. As ordens judiciais, cumpridas na capital piauiense e na cidade de Timon (MA), foram expedidas pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí.
A prisão ocorre após a PF deflagrar a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, que tem como objetivo combater a atuação de facções criminosas no processo das eleições municipais de 2024.
Os agentes da corporação cumprem, nesta manhã, oito mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva, três de busca e apreensão e três de afastamento de função pública. Além de Tatiana, são alvos pessoas investigadas com cargos na Câmara Municipal de Teresina, na Assembleia Legislativa e na Secretaria de Estado de Saúde do Piauí.
A PF informou que a investigação começou depois da divulgação dos resultados das eleições de 2024, quando o órgão identificou elementos que apontaram vínculo entre Tatiana, eleita vereadora na capital piauiense por quociente partidário, e uma facção criminosa considerada violenta pela PF e com ampla atuação no Piauí.
Ao Terra, a corporação também disse haver indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos da facção, além de utilizar recursos públicos desviados da instituição não-governamental fundada por ela, a Vamos Juntos.
O Juízo Eleitoral ainda determinou a suspensão das atividades da ONG, que fica impedida de receber novos aportes de recursos. Já os suspeitos afastados de suas funções não poderão frequentar locais de trabalho ou manter contato com outros servidores.
A reportagem procurou o PSB, partido pelo qual Tatiana foi eleita em Teresina, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Tatiana Medeiros, vereadora eleita em Teresina (PI) presa pela Polícia Federal
Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Teresina
Esta semana, o atual secretário de Planejamento do Estado do Piauí e presidente da legenda em Teresina até a última segunda-feira, 31, Washington Bonfim, decidiu afastar a vereadora do cargo de secretária-geral do partido. O motivo seria para resguardar a imagem do PSB, diante das investigações em andamento na PF.
Na terça-feira, 1º, Tatiana publicou um vídeo em as conta no Instagram, em que afirma ter sido pega de surpresa com a decisão, que classificou como “monocrática” e “ditatorial”. “Vou esclarecer alguns pontos hoje para vocês: nasci na periferia e por isso meu compromisso sempre foi e sempre será servir e cuidar dos menos favorecidos. Comecei esse trabalho muito antes da campanha, através do Instituto Vamos Juntos”, começou.
“Infelizmente essa decisão ditatorial (…) não respeitou o devido processo legal e ainda desrespeitou princípios da Constituição Federal”, afirmou dizendo não responder processos nos âmbitos criminal, eleitoral, cível ou partidário. Além disso, disse ser vítima de “perseguição política”, lembrando não ter origem em uma “família tradicional”.
O Terra não localizou a defesa da vereadora para comentar a prisão da parlamentar nesta quinta. O espaço também está aberto para manifestação.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ar eleição de 2024 foi a segunda tentativa da advogada Tatiana Medeiros a um cargo na Câmara de Vereadores de Teresina. Em 2020, ela tentou a eleição como suplente pelo DEM, mas não conseguiu votos suficientes.
Em fevereiro deste ano, já empossada, ela assumiu a presidência da Comissão de Saúde da Câmara.
Fonte: Redação Terra